Tawaraya Sotatsu
O vento carrega minhas cinzas.
A chuva as joga sobre a terra.
Eu vejo tudo como o fim
e como o início de uma nova era.
Cada grama de meu imundo pó,
cada lugar novo onde caio,
me faz lembrar da vida e do tempo só
e de tudo que fiz ao contrário.
Se, durante a vida,
a cada novo passo, eu tivesse tido um sonho
e a cada légua uma realização,
meu tempo, eu sei, não teria sido em vão.
Durante a caminhada eu era açoitado.
Durante a caminhada todos me seguravam
para que eu não andasse à frente de meu tempo.
Sofremos tanto tempo sem saber.
Amamos tanto, mesmo sem querer.
E, quando se abre a boca para reclamar,
nem os sábios conseguem entender...
1995

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