(Midi et démi, Dorothea Taning - www.dorotheatanning.org)
Conspiro pela volta da verdade.
Aguardo ansioso pela coroação do sonho
(que ocorrerá quando ele se realizar...).
Não há querer longe de quem nos quer.
Correm, pelos campos, bestas dantescas.
Imagens de um terror alienado.
As nuvens sangram. O céu se abre.
No fundo, algo de bom poderá surgir.
Meus olhos fitam a escarlate face da musa.
Seu vestido longo parece flutuar.
Seu rosto é puro sorriso.
Seu ato, o mais puro que há.
Corrói-se a candura bela da tez
sob uma sombra imóvel de paz.
Aonde está esse instante que não quer chegar?
Onde será o lugar deste abraço que vivo a desejar?
Suspenso sob a escuridão profunda do céu,
a noite parece se igualar a mim.
Existem vagos focos opacos de luz a me hipnotizar.
Há um laço, sempre ao meu redor, a me prender.
Escavo a terra incessantemente.
Meus dedos sangram. O solo tem mais cor.
Procuro a sagrada resposta.
Procuro a mim mesmo.
Sem coisa alguma achar...
1997

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