28 de abril de 2014

Isto



(L'Araignée souriante, Odilon Redon - www.art.com)


Eu já ouvi tantas palavras sem saber o que ouvia
e disse muitas frases sem entender o que dizia
e escondi meus segredos dentro de ouvidos estranhos
e esparramei todas as minhas mentiras em areias e praias nunca vistas
e escrevo e escrevi poemas reais e abstratos
e detestei-os, a todos, por não serem reais ou abstratos
e não sei se faço bem, o bem, ou é apenas hipocrisia o que vivo
e não sei se continuo ou permaneço aguardando.

O que eu sei, não sei se virá.
O que eu sei que não virá...

Em qualquer caso, deixa pra lá.


1996

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