25 de abril de 2014

Serenidade



Adolf Friedrich Erdmann von Menzel


O dia surgiu sereno trazendo junto de si a nostalgia.
Não me lembro bem do que se passou
mas recordo perfeitamente do que não ficou.

A calma e a paz roubam minhas palavras e ganho de presente o silêncio.
Não sei se continuo tão longa jornada
Ou abandono a melancolia que me nutre.

O dia surgiu sereno.
Não me lembro bem quando foi.
Só sei que trouxe lembranças amargas de um outro dia, perfeito, que se foi.

Quando vi que o sol me esperava lembrei da escuridão que corrompia meu coração.
Quando fui ao espelho e vi meu olhar triste e meu rosto doente,
notei que, tal qual minha alma, meu corpo definhava.

O dia surgiu sereno.
E me lembrou que não só ele existia.
E, aquela paz, que a minha imaginação, ele dava
fez-me lembrar da violência cega e da louca fome que havia.

O dia surgiu sereno.
Deu-me de visão a tristeza
e a solidão que me possuía.
Deu-me de presente a dor...
e a certeza de um longo dia...


1996



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