Meu pai e meu filho:
Aonde estarão?
Um, agora, em meu passado a esperar-me.
O outro, em um futuro qualquer, a imaginar-me.
Retratos um do outro.
Cada qual, à sua maneira, a esquecer-me.
Cada um a tentar entender minha ausência.
Um abraça o outro apesar de nunca terem se tocado.
Um toca fundo no outro coração.
Ambos a me alegrar e a me ferir. E, eu, a ferir e a alegrá-los.
Um me provoca uma saudade estranha. Saudade do que está por vir.
E o outro, em tão distante lugar está, que vive sempre a me acompanhar.
....
Obs. - Este escrito, de 24/10/1997, ao relê-lo hoje, parece ter ainda o mesmo significado. Mudaram apenas a direção das frases que, por fim, numa dança do tempo, inverteu sua direção, mudando o que significavam os personagens. O que não existia, há. O que há, não sei mais se ainda existe...
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