Aqui dentro há alguns murmúrios opacos que reluzem fracamente em meu espírito cansado.
Pessoas revelando seus segredos entre risos caóticos, suspiros profundos, ranger de dentes. Monotonia.
Olho pela janela quase a ignorar o que acontece às minhas costas e vejo o temporal se aproximar.
Nuvens escarlates de profunda dor.
Paisagem purulenta de cimento e cor.
A cidade respira, ofegante.
Há apenas contornos das coisas próximas.
Pingos de chuva começam a cair de forma suave e contínua.
Relâmpagos clareiam a escuridão.
Trovões silenciam os sons lamuriosos ao meu redor.
Confraternizo-me com a tempestade tal qual um velho que abraça seu neto.
A chuva, por instantes, lava meu peito.
A enxurrada arrasta saudades, dores, amores, ideias, medo, ódio...
Mais e mais se esconde a cidade por entre nuvens, raios, trovões, desejos...
Minha esperança ladra, a pedir o fim de tudo...
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