Distante de mim, nessa minha inescrupulosa inconstância,
Certifico-me de minha distância e satisfaço-me com minha pressa.
Meu espírito exige velocidade para alcançar patamares e lupanares doentes.
Interrompe a ordem correta dos pensamentos. Finge que me abraça.
Devoção doentia. Desespero agradável. Necessidades nossas de cada dia.
Inegável coerência entre o eu e o outro. Imutável existência minha, que é de outro.
Convoco minhas mágoas para a festa de meu funeral.
Saúdo as dores penetras na entrada da tumba.
Converso com as damas de preto no meio do salão.
Finjo tristeza - afinal é meu enterro - para com as estrelas.
Abraço meus anseios num gesto fraterno de despedida.
Beijo a primeira dama alva de minha quase existência.
Aceno para os desconhecidos conhecidos de meus conhecidos.
Transpiro sob o teto suado de meu caixão.
Há um gesto que não fiz e uma palavra que não disse.
Há um verme rastejando nas sombras - querendo acabar com a festa.
Há um sonho ainda a ser desvendado.
Todos esperam minha volta e uma resposta.
Não me importa.
Simplesmente parto...
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