28 de abril de 2014

Enquanto...

(The philosopher, Max Klinger - www.art.com)


Os outros estão revendo seus feitos
estou calado, no canto, pensando em que fazer.
Perdido em meus lamentos e tormentos,
sem, ao menos, saber o porquê...

Fico olhando as curvas das chaves,
a simetria do vidro, a imperfeição do motivo,
a evidência da causa, os vestígios do resultado,
a impotência da verdade...

Meus dedos, impacientes, sobre a mesa.
Meus gestos, independentes, solidários, solitários.
Sinto o sangue que escorre do lábio que eu mesmo feri, com meus dentes.
Meus lábios.

Soletro palavras para que eu mesmo possa entendê-las.
Saboreio o vento, intoxicante, que entra em meus pulmões.
Observo o mover do pó, sobre o chão,
indagando-me sobre a necessidade do fazer ou não.

Não me identifico comigo mesmo.
Não entendo o meu ser ou o não.
Não me enriquece o silêncio ou a claridade.
Não vejo, sinto, ouço, digo, penso, faço, duvido...

Talvez eu realmente não seja...


Ou seja único e composto, resto e base, gesto e paralisia.


1996

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