(The philosopher, Max Klinger - www.art.com)
Os outros estão revendo seus feitos
estou calado, no canto, pensando em
que fazer.
Perdido em meus lamentos e tormentos,
sem, ao menos, saber o porquê...
Fico olhando as curvas das chaves,
a simetria do vidro, a imperfeição do
motivo,
a evidência da causa, os vestígios do
resultado,
a impotência da verdade...
Meus dedos, impacientes, sobre a mesa.
Meus gestos, independentes,
solidários, solitários.
Sinto o sangue que escorre do lábio
que eu mesmo feri, com meus dentes.
Meus lábios.
Soletro palavras para que eu mesmo
possa entendê-las.
Saboreio o vento, intoxicante, que
entra em meus pulmões.
Observo o mover do pó, sobre o chão,
indagando-me sobre a necessidade do
fazer ou não.
Não me identifico comigo mesmo.
Não entendo o meu ser ou o não.
Não me enriquece o silêncio ou a
claridade.
Não vejo, sinto, ouço, digo, penso,
faço, duvido...
Talvez eu realmente não seja...
Ou seja único e composto, resto e
base, gesto e paralisia.
1996

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