(Callas, Katherine Sanderson - www.art.com)
A dor agora me invade e desperta
lembranças estranhas.
Sonhos vorazes mastigam prazeres que
amargam a boca.
E é difícil sorrir...
Homens tornados desprezíveis por medo
de novos passos.
Restos de vontade sacrificados em nome
da nostalgia.
Pontos no infinito.
Não ser o que é preciso ser é o único
problema,
e sacrificar o nome que os outros
julgam belo.
Não questionei a respeito do que me
fizeram.
Não indaguei sobre a hora certa.
Eu espero...
Dos campos floridos restaram espinhos.
Razão ou loucura na próxima trilha?
O próximo pedido é um beijo seco ou
uma garrafa de veneno?
A necessidade será de acalanto,
carinho ou pulsos cortados?
O áspero toque de mãos de fada;
O sorriso escarlate do vampiro de
almas.
Rapunzel que me ajuda com a corda para
o nó do enforcado.
Meu sonho é não ser sombra...
1996

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