Por não ter mais nenhuma opção
preferi transpôr os motivos de minha desilusão
E sobrepôr tudo que restava intacto no ego
E transformar todo veneno em remédio.
Esquecer o que foi feito de mim
quando quem eu amava decidiu partir.
Relembrar as dores traumáticas do evento
sem ter que pedir opinião ou consentimento.
Enfaixar todo meu bom senso por milênios.
Deixar as coisas fluírem sem hesitar.
Me manter calmo e passivo (apesar de chorar)...
Transcender tudo que já passou.
Sobreviver a todos os espinhos do alvorecer.
Depois, então, fechar os olhos e morrer...
1997

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