25 de maio de 2014

Na futilidade dos dias...



Na futilidade dos dias que adormecem num sono sem gosto,
entre braços que prendem mais que acalentam,
vejo que me restam mais lamentos que sossego.

E sou um ingrato. Um mendigo que rejeita a moeda.

Vivo na vida comum dos humanos que vivem.
E carrego comigo a simpatia infeliz da modernidade,
cega criatura que afasta cada vez mais meu eu de mim.

E sou o carrasco. Dono do chicote que açoita em minhas costas.

Carrego o excesso das coisas como se fossem coisas que importam.
E transformo em excesso o que importa como fossem meras coisas.
Prisioneiro da escrava ideia da importância do mesmo.

E sou escravo. Pago com suor o peso de aceitar a vida que levo.

Distante das palavras, meras (e falsas...) condutoras de pensamentos,
arrasto o som de meus passos e meu olho que encara na (também falsa...)
esperança que seja percebido na multidão cega que cerca.

E sou o transeunte. Passageiro da onda negra de pessoas mortas que ignoram...

 

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