- Na futilidade dos dias que adormecem num sono sem gosto,
entre braços que prendem mais que acalentam,
vejo que me restam mais lamentos que sossego.
E sou um ingrato. Um mendigo que rejeita a moeda.
Vivo na vida comum dos humanos que vivem.
E carrego comigo a simpatia infeliz da modernidade,
cega criatura que afasta cada vez mais meu eu de mim.
E sou o carrasco. Dono do chicote que açoita em minhas costas.
Carrego o excesso das coisas como se fossem coisas que importam.
E transformo em excesso o que importa como fossem meras coisas.
Prisioneiro da escrava ideia da importância do mesmo.
E sou escravo. Pago com suor o peso de aceitar a vida que levo.
Distante das palavras, meras (e falsas...) condutoras de pensamentos,
arrasto o som de meus passos e meu olho que encara na (também falsa...)
esperança que seja percebido na multidão cega que cerca.
E sou o transeunte. Passageiro da onda negra de pessoas mortas que ignoram...

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