24 de maio de 2014

Enquanto ouço velhas canções...


Charles Le Brun



Enquanto ouço velhas canções, que apesar de perdidas no tempo e na memória insistem em, vez ou outra, surgirem no meio de uma tarde quente, penso na lágrima triste que cai de meu rosto.

Não a vejo como mera gota, água salgada que tempera meu rosto cansado, nem como bálsamo de dores que insistem em acompanhar o dia, as noites.

Não há remédio. Não há cura. Não há mal. Apenas um não saber.

E, enquanto penso nessa lágrima, que de tão comum torna-se insípida em minha boca, outras tantas tentam fugir de meus olhos, criando um espelho trêmulo que atrapalha minha visão.

Todas são passageiras de um só corpo, um só peito. Muitas já desceram em meus momentos antigos, muitas virão em meus momentos futuros.

São gestos meus para mim, insistindo em tocar meu rosto, como mão que acaricia, suave.

São sentimentos que brotam em mim e não consigo disfarçar...

Sou eu, me transformando em mar e fugindo de mim...





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