8 de maio de 2014

Vejo...

Martin Stranka

A saudade deposita pequenos grãos de fina areia
que, um a um, se amontoam nas pequenas
frestas que existem entre nossos olhos e coração.
Cria, de leve, leve sombras.
No princípio, contornos embotados do ausente
numa ausência que principia cegueira.
Deixo, lentamente, a areia se acumular...

Muros se formam e fecham por completo os sentidos.
Nada vejo do externo.
Olhos vendados para o mundo.
Peito fechado para tudo.
(Menos para a opressão do que me falta...)
Nestes  muros, apenas um pequeno espelho.

Espelho ainda tosco, formado do reflexo dos finos grãos de areia.
Espelho que só reflete uma imagem.
Espelho que brilha apenas pelo brilho de quem não se encontra.
E, neste espelho, vejo apenas seus olhos...

Apenas você...

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