Gerhard Richter
Nervoso, anseio o nervo exposto da vida que aflige, afoga.
Porque nele se encontra o que a vida é: dor e sonho.
Caminho com os ventos desse sonho, desses sonhos, a dançar sob meus pés, revolvendo a terra batida do chão.
Procuro.
Insensato sou, nessa sangria exposta que reprova todos os passos que dou.
...
De repente, me dou conto que escrevo sem conexa razão, porque penso nela, desconexa visão.
E o que passa a surgir são as imagens que me apagam de mim. E não me quero mais.
Quero apenas continuar a sentir seu corpo a respingar orvalho de gozo sobre mim.
Quero minha língua naquela pele quente e macia e saborear o suor aflito de entre suas coxas.
Quero minhas mãos emaranhadas em seus cabelos, minhas mãos a apertar suas coxas, minha mão se ocultando entre a maciez de sua bunda.
Quero meus dedos em fogo, molhados do líquido sagrado que brota dela.
Quero seu olho a enxergar em mim, o que em mim não encontro.
E, triste, descubro que sou apenas o homem do querer...
Não tenho...
06 06 2014

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