Kumi Yamashita
O homem é sempre a incógnita de si.
Ainda mais distante de si do que do outro
transporta o peso das memórias
misturadas a cacos do que supõe de exclusivo.
Adquirindo em seu berço (o de si mesmo, não do parto...)
a sensação contínua de ser o centro
é sempre margem, na verdade, de tudo o que vive como seu.
Nada além de aparas no trabalho do marceneiro.
Defeito nato da improbabilidade do almejado
é espécie sem origem certa. Sempre possibilidade.
Carne que se imagina alma, pele que se imagina salva.
Vive na vida como noutra, noutra como nesta.
Anseio de esperança eterna por ter tudo que temia,
porém, prisioneiro inocente dos desejos imaturos,
acorrenta-se ao que, de tão seu, é estranho.
De tão próximo, distancia seus próprios passos.
Elegia eterna, nunca respondida.
Atrevem-se, quem, de humanos a carcaça,
explicam as asas de borboletas,
como se do voo entendessem os que em patas, rasas, vivem...

Nenhum comentário:
Postar um comentário