13 de agosto de 2014

Velhices - 4 - Sempre o mesmo

Mulheres com atestados de pobreza.
Crianças com água nos olhos.
E eu sequer tenho uma moeda para entregar a estes mortos...

Mendigos com sangue e esparaadrapos.
Velhos que caminham tristemente.
E tudo que pedem são centavos
para pagar um passe ou uma aguardente...

Mas, nas mesmas esquinas se encontram mulheres grã finas
e homens de terno que pedem e imploram
pelos seus dons de comprador...

No silêncio da cidade eu posso ouvir as lágrimas
que escorrem de um coração.
Mas não consigo ouvir o grito
de uma alma que pede perdão...

Vendedores anunciam seus produtos
e compram sua liberdade por um tostão.
E, se você foge das ruas, só te sobra a televisão...

Comerciais tão ruins quanto a programação.
Pessoas se esbarrando, com eus rostos disformes.
Sempre a mesma pessoa naquela esquina...
Mas ninguém se importa - é só uma menina...

Vendendo chicletes para comprar pão.
Vendendo o corpo e a alma por ilusão.
E, ao seu lado, um pastor...

Dando o céu para todos os irmãos...


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