Vejo a tudo de maneira ainda mais dolorosa
e cada pessoa me parece ainda mais estranha.
Me vejo no momento mais perigoso
mas não reajo a nenhuma provocação.
Sobrepujo a necessidade de precisar de algo,
mas não esqueço a necessidade de precisar de alguém,
e meus pés doem por não poderem andar
e minhas mãos sangram por não poderem tocar.
Tudo ultrapassa a boa vontade
e nada me faz esquecer a caridade
de quem um dia me ofereceu a mão piedosa
e, como um demônio ferido, um cuspe lhe ofereci em troca.
Não preciso da piedade que alimenta o medo.
Preciso da verdade e de coragem para cuspir de novo.
O humano não existe mais do que Deus
e Deus só existe se for menos do que o homem
e, ao homem, dou minha raiva, ódio, repugnância...
e, a Deus, minha raiva, dúvidas e desconfiança...
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