16 de agosto de 2014

Velhices - 8 - Louca sanidade

Quando minha vontade de cortar os pulsos se manifestou
e meu desejo de morte se mostrou...
eu parei, seminu e embriagado, sob um céu demente
e perguntei se tudo, realmente, ali terminava...

Mas nunca houve resposta pra coisa alguma e nem haverá.
Simplesmente a espera e o caminho seguido em vão.
Debilitado, amargurado, sofredor, a sós ou não...
Em meio ao comum das coisas que, de banais, são as mais importantes...

Então, deixei de cortar-me os pulsos,
de me enlaçar em cordas junto ao abraço de uma árvore
e evitei a arma que foi abandonada ao meu alcance
simplesmente porque pensei que precisava de mais um dia...

E aconteceu que esperei, covarde, por mais este dia
e, quando acordei, não tinha mais forças para falar ou vontade de me explicar.
Assim, nesse momento de lucidez,
descobri que morria mais um pouco...


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