17 de agosto de 2014

Velhices - 9

Retorna, mais uma vez, o que penso ser o instante fatal
e, com sua chegada, parte a esperança.
Viajo noites a fio. Observo-o cuidadosamente.
Ele conhece o exato momento de agir
mas, eu, apenas sei que ele se encontra aqui.

Quando, de repente, à minha frente, surgir
saberei encará-lo? Ou chorarei feito uma criança?
Continuarei a ver tudo que me fazia sorrir?
Ou será apenas terror em minha mente?
Cada momento se prolonga em mim, mas, além, é desigual.

O peito sofre pela despedida que virá. Brevemente.
Sinto, de forma inconsciente e desde já, o cheiro de minha própria carniça.
As noites são tão longas quanto eram. Se há um dia, é banal...
Conheço meus meio-limites. Desconheço o que há no ir...
Satisfaço meu espírito tomando uma das partes do daiquiri.

E o que vier a ser pesado na balança me fará rir de uma nova piada.

Aguardo o instante e meu eu não mente.


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