Gosto da
saudade, esse gosto amargo que diz que vale à pena ter vivido...
É como o
café que bebo todas as manhãs: puro, forte, sem açúcar pra
ofender ou rebuscar-lhe o gosto...
Gosto desse
martelar de lembrança mal vivida e bem vívida que interrompe o
ciclo monótono dos dias, a incompreensibilidade da vida...
Fruta acre
que celebra a ânsia anterior, aquele desejo incontrolável, o tempo
passado que coroa essa existência torpe, plena de ausências...
Carrego essa
mácula, que na verdade é uma bênção, em cada fragmento de minha
pele...
Entre meus
dedos os espinhos tácitos de outros dedos, porque agora ausentes...
Minha boca
queima com esse alimento que é o remédio dos dias...
Gosto
dessa saudade...
É a
expressão mais doce do amor que tive...
É
o que me resta do amor que tive.
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