29 de maio de 2014

Saudade


Gosto da saudade, esse gosto amargo que diz que vale à pena ter vivido...

É como o café que bebo todas as manhãs: puro, forte, sem açúcar pra ofender ou rebuscar-lhe o gosto...

Gosto desse martelar de lembrança mal vivida e bem vívida que interrompe o ciclo monótono dos dias, a incompreensibilidade da vida...

Fruta acre que celebra a ânsia anterior, aquele desejo incontrolável, o tempo passado que coroa essa existência torpe, plena de ausências...

Carrego essa mácula, que na verdade é uma bênção, em cada fragmento de minha pele...

Entre meus dedos os espinhos tácitos de outros dedos, porque agora ausentes...

Minha boca queima com esse alimento que é o remédio dos dias... 

Gosto dessa saudade... 

É a expressão mais doce do amor que tive... 

É o que me resta do amor que tive.

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