31 de maio de 2014

Todas as manhãs...



Todas as manhãs são escuras e todos os sóis do universo seriam incapazes de iluminá-las.
As horas carregam o peso estranho de uma vida que passa, sem sentido, sem razão.
São passos cegos que se atropelam enquanto caminho rumo a um futuro que não sei existir.
Olho o rosto das pessoas que passam e vejo esse mesmo rosto meu: apático, cego e infeliz.
Minha carne treme e não é febre o que sinto.
Só um temor absurdo de tudo o que existe
e uma tristeza que não é a minha velha companheira de todas as horas.

Passo meus dedos no meu rosto...fecho os olhos...
Minha vontade é de me espancar no escuro desses dias até que meus dedos sintam meu sangue...
Mas a razão me persegue como um cão que corre atrás de carros...sempre perto, nunca morde...

Meu corpo é um mistério perdido no espaço e em mim...
Trago nos bolsos os papéis que me definem como a pessoa, olho o rosto e não me reconheço...
Esse nome não é meu, essas obrigações, essa história...
Não há leveza no passado ou no futuro e esse presente é mais sofrer que viver...
Alguns trocados a mais ou a menos são o que definem amigos, passeios, afazeres...
Então sei que não sou eu quem os escolhe e me perco ainda mais nessa ânsia de ser quem não sou...
Ser alguém, ao menos...

(queria que a frase final fosse: "Te beijo e tudo passa..." mas seria mentira e não uso mais o impossível pra me acalmar...)



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