William Blake
Tenho um coração que, premente de amar, carrega o mundo e o vazio deste dentro de si.
Sei que não escrevo poemas. Meus escritos são meros diários do que sinto.
Há raiva quando não tenho o que almejo. E sei, então, que ainda sou criança quando falo no amor.
Nada do que escrevo tem gosto de novo. Tenho o ranço dos dias colado à língua e o negro de meus pesadelos em meus olhos.
Grudo minhas mãos, uma à outra, na esperança de sentir algo em mim, além de mim, próximo ao outro.
Enxergo a tolice do gesto. Ouço os carros que passam, os pássaros que cantam, sinto frio nos ossos e ânsia de vômito.
Sei que não escrevo poemas. Meus escritos são meros diários do que sinto.
Há raiva quando não tenho o que almejo. E sei, então, que ainda sou criança quando falo no amor.
Nada do que escrevo tem gosto de novo. Tenho o ranço dos dias colado à língua e o negro de meus pesadelos em meus olhos.
Grudo minhas mãos, uma à outra, na esperança de sentir algo em mim, além de mim, próximo ao outro.
Enxergo a tolice do gesto. Ouço os carros que passam, os pássaros que cantam, sinto frio nos ossos e ânsia de vômito.
E, a bem ou mal, ainda vivo.
Quem me dera o silêncio das vestes, o silêncio de tua mão na minha, o silêncio dos teus olhos e os meus perdidos neles.
Tua mão, assim como coisa santa, é intocável por mim.
Tua pele...Minha pele, longe da tua, é a veste fria do cadáver.
Olhos...Nossos olhos são tempestades e universos a se perderem, tão perto e distantes de si.
Tua mão, assim como coisa santa, é intocável por mim.
Tua pele...Minha pele, longe da tua, é a veste fria do cadáver.
Olhos...Nossos olhos são tempestades e universos a se perderem, tão perto e distantes de si.
Tenho, podes até duvidar, mas tenho ainda o mesmo amor de antes.
Só, talvez, não tenha ainda, vida, sonhos, esperança...
Só, talvez, não tenha ainda, vida, sonhos, esperança...
Em mim: silêncio de mortos e covardia...

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