19 de agosto de 2014

Velhices - 12

As horas fecham-se sob o sol crepuscular.
O infindável dia que se finda sem terminar.
Do afago, a lembrança amarga. O rancor,
rançoso, toca a pele nua. Versos tolos.

Meu tempo finda-se em gotas negras.
Do amor restou-me a lancinante dúvida.
Sobras de um resto tosco que se foi.
Nada tenho que me baste. Do nada venho.

Tenho o gosto que agrada os insensíveis.
O olhar que me odeia ao espelho.
O sonho que é vago. Sonho que se foi.
Tenho peso sobre os ombros. Mundo supérfluo.

Superficialidade dominante. Nervos postos.
Sombras encobrindo o sol. Ossos cobrindo a pele.
Desisto do verso tolo. Nego minha verdade.
Todo sonho, toda vida, toda fé...

Todo amor...

Nada.



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