Por quantos anos o sangue negro,
Ainda, a jorrar pelas paredes?
Por quantos dias, ainda, a vida a querer
o que eu não posso, não consigo lhe oferecer?
Destinos traçados sobre o mármore branco.
Destilados atrozes a esconder auroras.
Sabe-se tudo quando se está no palco da forca.
Têm tudo os que nos têm no picadeiro.
Veias entupidas, sangue ácido no assoalho.
Cabelos negros, longos, soltos ao vento..
Suspiros de dor ou prazer?
Como os distinguir? Como evitá-los?
Caramujos escondidos sob meu peito.
Lesmas tolas sob meu travesseiro.
Piadas idiotas como filosofia.
Elogios insensatos sobre uma beleza que não há.
O sol esconde-se de meu olhar.
Tenho medo de não chegar.
Espero encontrar o que se foi.
Pois tudo é só desejo...
Um tolo enraivecido que vive de passado...
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